quarta-feira, 29 de abril de 2015

Os sonhos, um a um, céleres voam

As pombas
Vai-se a primeira pomba despertada...
Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas
Das pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sanguínea e fresca a madrugada.

E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais, de novo elas, serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada...

Também dos corações onde abotoam
Os sonhos, um a um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;

No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais.

Mais um poema Parnasiano, desta vez do nosso celebre Raimundo Correa!
Na minha banal interpretação "As pombas" é um belo poema, que apesar da Objetividade, consegue, em um pequeno espaço de um soneto,apresentar o tênue trajeto da vida. Assim como ainda nos trás uma nostalgia das incorruptíveis esperanças e sonhos e carregamos, notoriamente na sublime mocidade.






No último sábado(25) as Placas Tectônicas Indiana e Eurasiana se chocaram e causaram um devastador terremoto que atingiu, principalmente o território de Nepal- um país humilde de cultura e características notáveis. Por hora, tem-se informação de ao menos 4 mil mortos. Além da séria tragédia na região, nos convido a refletir sobre uma parcela essencial de qualquer comunidade: a Juventude. Imaginemo-nos em uma situação de perca, nosso percurso interrompido, expectativa interceptada por um assolador desastre natural. Isto é, por incrível que pareça, não incomum como acreditamos.

Ponhamo-nos nesta postura, a quem ou ao o quê nos sustentaríamos? Seriamo-nos capazes de acreditar em nós? Em nossos sonhos? Não bastaria todos os momentos ímpares que sobrevivemos dia à dia numa realidade às avessas? 

Pois então, a despeito de minha credulidade, ainda arrisco-me a afirmar; queridos, não há motivo para desistir! É necessário crer! Confiar em nossas capacidades e com isso lutar. Não é de se espantar de uma certa ajuda indispensável. E essa ajuda é interna, surge de  nossos corações. Se arrisque em voar, tente, uma vez que "a tarde" não demorará a chegar. Seus problemas não são vagos, não são inferiores, contudo não deixam de ser problemas, fique feliz, já que problemas exitem para serem resolvidos. Desejarei sempre vossa felicidade, isto posto, mantenha-se firme e viva, viva intensamente,viva!

sábado, 18 de abril de 2015

Ouvir estrelas

















"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo 
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto, 
Que, para ouvi-las muita vez desperto 
E abro as janelas, pálido de espanto... 

E conversamos toda noite, enquanto 
A Via Láctea, como um pálio aberto, 
Cintila. E, ao vir o sol, saudoso e em pranto, 
Inda as procuro pelo céu deserto. 

Direis agora: "Tresloucado amigo! 
Que conversas com elas? Que sentido 
Tem o que dizes, quando não estão contigo?" 

E eu vos direi: "Amai para entendê-las! 
Pois só quem ama pode ter ouvido 
Capaz de ouvir e de entender estrelas". 

-Olavo Bilac.

Nosso caro Bilac foi um poeta brilhante; incluso na escola do Parnasianismo, não se manteve apenas abaixo do mesmo conceito de formalidade e rigidez, ele foi além. E como nosso objetivo também é ir além, nada melhor como inaugurar esse espaço com o celebre poema do nosso amigo.

Também vale ressaltar que as estrelas nos chamam, piedosamente em busca de novos amigos. Pode-e dizer que com a modernidade muitos as ignoram como amigas, restando aos físicos, astrônomos, astrofísicos tratá-las como o cientismo e racionalismo. 

Não há motivo para temer, você vai encontrar nelas uma amizade verdadeira, basta acreditar que deixar-se acreditar. Levante seus olhos ... ( o resto é contigo).