As pombas
Vai-se a primeira pomba despertada...
Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas
Das pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sanguínea e fresca a madrugada.
E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais, de novo elas, serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada...
Também dos corações onde abotoam
Os sonhos, um a um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;
No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais.
Mais um poema Parnasiano, desta vez do nosso celebre Raimundo Correa!
Na minha banal interpretação "As pombas" é um belo poema, que apesar da Objetividade, consegue, em um pequeno espaço de um soneto,apresentar o tênue trajeto da vida. Assim como ainda nos trás uma nostalgia das incorruptíveis esperanças e sonhos e carregamos, notoriamente na sublime mocidade.
No último sábado(25) as Placas Tectônicas Indiana e Eurasiana se chocaram e causaram um devastador terremoto que atingiu, principalmente o território de Nepal- um país humilde de cultura e características notáveis. Por hora, tem-se informação de ao menos 4 mil mortos. Além da séria tragédia na região, nos convido a refletir sobre uma parcela essencial de qualquer comunidade: a Juventude. Imaginemo-nos em uma situação de perca, nosso percurso interrompido, expectativa interceptada por um assolador desastre natural. Isto é, por incrível que pareça, não incomum como acreditamos.
Ponhamo-nos nesta postura, a quem ou ao o quê nos sustentaríamos? Seriamo-nos capazes de acreditar em nós? Em nossos sonhos? Não bastaria todos os momentos ímpares que sobrevivemos dia à dia numa realidade às avessas?

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