"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir o sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizes, quando não estão contigo?"
E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".
Nosso caro Bilac foi um poeta brilhante; incluso na escola do Parnasianismo, não se manteve apenas abaixo do mesmo conceito de formalidade e rigidez, ele foi além. E como nosso objetivo também é ir além, nada melhor como inaugurar esse espaço com o celebre poema do nosso amigo.
Também vale ressaltar que as estrelas nos chamam, piedosamente em busca de novos amigos. Pode-e dizer que com a modernidade muitos as ignoram como amigas, restando aos físicos, astrônomos, astrofísicos tratá-las como o cientismo e racionalismo.
Não há motivo para temer, você vai encontrar nelas uma amizade verdadeira, basta acreditar que deixar-se acreditar. Levante seus olhos ... ( o resto é contigo).
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